A INDEPENDÊNCIA DOS PODERES

Fala-se muito em independência dos poderes. Mas a gente fica pensando se ela de fato existe, diante do que se vê no Parlamento, onde os congressistas parecem estar  ao sabor dos interesses do Poder Executivo.

Há o líder do Governo, o líder do Bloco Majoritário, e por aí vai. As eleições para as Mesas da Câmara e do Senado sofrem a interferência do Executivo, que orienta tudo de longe.

 Ora, isso é ou não intromissão de um Poder na vida do outro? Se não for, realmente não dá mais para entender nada.

Os congressistas são eleitos para defender os interesses do povo que os elegeu. Não são representantes do Poder Executivo. É certo que devem aprovar os projetos oriundos daquele Poder que auscultem os interesses coletivos, mas não cegamente. Devem melhorá-los, cumprindo, assim, a  sua missão legislativa.

O Parlamento é o local indicado para os grandes embates da inteligência, da troca de idéias, das lutas pelas liberdades públicas. Um Parlamento que possa parecer  submisso, cabisbaixo, não ajudará  em nada os ideais democráticos.

Por outro lado, o Parlamento não foi feito apenas para elaborar leis, embora essa seja a  sua função precípua. Pois bem, nem isto não faz mais, atulhado com Medidas Provisórias que lhe trancam a pauta dos trabalhos.

Ou o Parlamento volta aos seus dias de um passado brilhante e distante, ou vai perdendo a sua força e o seu prestígio perante o povo brasileiro. 

E isto não é bom para a democracia.