A PERDA  DO PODER DE COMPRA

    Que a inflação é um "imposto perverso", disso ninguém tem dúvida. Ela corrói os salários dos mais pobres que não podem fazer aplicações para se livrar da ciranda financeira. O poder de compra conseqüentemente cai, assustadoramente, porque os preços das mercadorias sobem sem parar.

    Mas há um estranho fenômeno: a inflação foi domada, ficando em níveis infinitamente mais baixos do que os de antigamente, mas o que se observa é que o poder de compra do povo vem caindo dia-a-dia, havendo como que um empobrecimento geral.

    Ora, a inflação baixou, mas continua. E não há reposição salarial. Conseqüência: o poder de compra vem caindo, e já atingiu consideravelmente a chamada classe média baixa, que passou à categoria de pobreza.

    Ninguém se manca com isso. Parece, até, que a contenção da inflação é tudo, embora isso implique na desgraça da população, que vive em situação aflitiva, neurotizada, com dívidas de toda ordem e sem poder saldá-las.

    O povo brasileiro tem sofrido muito. A pobreza se socializou. Os trabalhadores que tinham algum poder aquisitivo, tornaram-se párias da nação. Os miseráveis do INSS pululam por toda a parte. É um salve-se quem puder.

    Diante de um quadro tão assustador quanto este, aumentam as despesas do Governo com o sistema de saúde, é claro. A população, mal alimentada, adoece cada vez mais. É uma ciranda sem fim...

    Ao invés de empobrecer o povo para conter a inflação, dever-se-ia  melhorar as condições de vida dos trabalhadores em geral, que, com maiores recursos, não estariam pressionando os sistemas de saúde e de assistência social, fazendo a administração pública gastar fábulas nesses setores.

    Tirar das pessoas de parcos recursos para dar aos pobres, é uma coisa sem nexo, parecendo, até, o samba do crioulo doido.