A SOLUÇÃO PARA O NORDESTE

Em l988, se não me falha a memória, o dr. Afif Domingues, da cúpula empresarial de São Paulo, foi convidado para fazer uma conferência em Manaus, sobre a região nordestina, havendo o mesmo afirmado que os problemas decorrentes da seca poderiam ser resolvidos com a abertura de poços artesianos.

Parecia uma solução simplista, visto que a construção de açudes sempre se apresentou como a fórmula mágica para transformar as terras áridas do nordeste em áreas agricultáveis. Muita gente achou ridícula a idéia de poços artesianos numa região seca, de terra rachada. Por que, se os açudes resolveriam o problema?

Ocorre que a construção de açudes, muito onerosa, até hoje não resolveu coisa nenhuma e o problema da seca está aí diante dos olhos de todos, como um castigo sem fim.

Levantou-se, mais recentemente, a tese da transposição das águas do Velho Chico, projeto que encerra a megalomania do brasileiro que, não possuindo nem o essencial, quer o inatingível. Ora, se não há dinheiro nem para a construção de açudes, quanto mais para a transposição das águas do Rio São Francisco, megaprojeto que tem sido alvo das mais acirradas controvérsias.

Na Televisão, o Ratinho disse que iria provar ser fácil conseguir fluir a água através de poços artesianos, e provou isto. Não sei porque não mais se falou no assunto.

Ora, o problema do nordeste tem sido crônico. Outro dia, ouvindo a CBN, um geólogo falava que a solução não surgia, por falta de vontade política. Bastava abrir poços artesianos. Afirmou que os lençóis freáticos de muitos lugares do nordeste dariam para irrigar toda a região.

Declarou, por outro lado, que há falsa noção de que a densidade pluviométrica da região é muito baixa. Tomou como exemplo a Espanha, onde o índice é menor do que o do nordeste, e nem por isso aquele país deixa ter uma forte agricultura, exportando para diversas partes do mundo, inclusive o Brasil. Milagre? Não. Simplesmente a eficiente irrigação das terras estorricadas, com a água proveniente de poços artesianos.

Há tempos, num programa da Globo News, apareceu uma reportagem com um francês, que optou por desenvolver suas habilidades de pesquisador num país do terceiro mundo, a prestar o serviço militar em seu país. E escolheu, justamente, o nordeste brasileiro, para desenvolver um trabalho maravilhoso de abertura de poços tubulares, em locais predeterminados, no município de Quixeramubim, no Ceará. Escolheu terrenos argilosos, onde os poços são abertos através de um mecanismo simples, mas eficiente. O equipamento não custava mais do que modestos R$l.500,00 (Hum Mil e Quinhentos Reais).

E o que se viu? Muita água jorrar e as plantações florescerem como num verdadeiro milagre da natureza.

Julian, este o nome do francês, mostrou que uma providência simples poderá salvar o nordeste da desgraça da escassez de água, com sua conseqüência trágica de miséria e de desespero.

O Prefeito de Quixeramubim acreditou no francês e  este acreditou no seu trabalho, fazendo uma parceria. O assunto, caiu no esquecimento.

Acorda SUDENE, deixa de fórmulas intrincadas, de burocracia barata, e cumpra a tarefa de desenvolver o nordeste.

Deixe as soluções mirabolantes, e caminhe para o que é factível, sem demagogia, mas auscultando, tão somente, os interesses nacionais.

O nordeste precisa despertar de seu sono letárgico, e deixar de ser problema, para se tornar a solução do sonho de crescimento do Brasil.

Como bem disse Julian, o Governo não deve apenas dar, mas ensinar o nordestino a sair da situação em que vive, através de soluções simples, porém eficientes.

A sabedoria chinesa afirma: no primeiro dia você dá o peixe; no segundo dia, você ensina a pescar.