A VISÃO DE UM ESTADISTA
Para amar a Amazônia é preciso nela viver o seu dia-a-dia, penetrar em suas entranhas, defendê-la contra a cobiça internacional, lutar pelo aproveitamento de suas riquezas para, em futuro próximo, vê-la cada vez mais próspera e pujante, servindo ao Brasil.
A Amazônia sempre se constituiu em campo fértil para profundas meditações, para histórias fantásticas sobre os seus mitos e suas lendas, sua fauna e sua flora.
Muito já se escreveu sobre a Região havendo, assim, abundante literatura, não raro fantasiosa, a respeito daquele imenso pedaço do Brasil que há despertado a atenção do mundo, sob os mais variados enfoques.
No passado, constituía-se verdadeiro castigo ir para a Amazônia, em face da falta de condições existentes na Região, o que representava sofrimento e desconforto.
A escassez de comunicações era tão grande, que levava a pessoa a encarar o deslocamento para a Amazônia como um verdadeiro degredo, principalmente na chamada Amazônia Ocidental onde o progresso chegou mais atrasado do que na Amazônia Oriental.
Os tempos, porém, mudaram. E isto se deveu ao descortino de um homem que percorreu amiúde o setentrião pátrio, em sua nobre missão de soldado de fronteira, que foi o inesquecível Marechal Humberto de Alencar Castello Branco. Profundo conhecedor da região, sentindo na alma e no coração as agruras de seus problemas, da falta de condições para o seu desenvolvimento e para a sua integração definitiva aos centros mais adiantados do Brasil, aquele grande brasileiro, na qualidade de Presidente da República, resolveu sacudir a Amazônia Ocidental de seu sono letárgico, criando a nova Zona Franca de Manaus, da qual tive a honra de ser o seu primeiro Superintendente, entidade esta destinada a promover o desenvolvimento sócio-econômico daquela parte da Amazônia Brasileira.
As resistências à Zona Franca se fizeram sentir de imediato, não apenas por brasileiros de outras regiões mas, para minha decepção, da parte de alguns brasileiros da própria área beneficiada. Eram mentalidades retrógradas, de verdadeiros apedeutas, sem senso de brasilidade, que evidenciavam incapacidade, inveja, além de interesses recônditos e inconfessáveis.
Beneficiada com a Zona Franca, a Amazônia Ocidental começou a se expandir, com a conseqüente melhoria das condições de vida de seus habitantes. Aquela imagem negativa foi sendo apagada, dando lugar a que muitos brasileiros fizessem questão de ir para Manaus e para outros pontos da AO, para se beneficiarem do seu desenvolvimento.
O Marechal Castello Branco deixou-nos uma grande lição: para amar a Amazônia não é preciso, necessariamente, que a pessoa ali tenha nascido, mas que ali tenha vivido, sentindo os seus problemas, conhecendo de perto a sua realidade e a querendo incorporada ao desenvolvimento do nosso país, como é do desejo de todo patriota convicto.