CRIME ECOLÓGICO

Branca Amande Cavalcante

O Colégio Bennet, de grande tradição, encontra-se instalado à rua Marquês de Abrantes, 55, numa área razoavelmente arborizada, onde já existiam três árvores centenárias, bonitas, frondosas, cheias de vida, dando sombra e bastante oxigênio, e abrigando pássaros encantadores.

De maneira injustificável e inexplicável, pelo menos para mim, decidiram os donos do Colégio sacrificar as três árvores, sob a alegação de que as mesmas estariam com  broca e agasalhando cupins, inclusive os exportando para os prédios vizinhos.

Desculpa lamentável e esfarrapada. Já tratei de 22 coqueiros doentes e os salvei. Há remédios para as plantas, sem necessidade de matá-las, portanto. No caso, as árvores estavam cheias de vida, precisando, quando muito, de uma poda.

Alegaram, também, que as árvores estariam afetando os muros, que nem estão quebrados ou rachados. As árvores pela sua idade, demonstravam grandes rugosidades, com troncos bastante grossos, com fortíssimas raízes perpendiculares. As raízes horizontais, quando muito, poderiam ser cortadas, sem afetar a saúde das árvores.

No caso, por serem bastante antigas, não foram as árvores que invadiram o espaço do Colégio, mas o Colégio que invadiu o espaço das árvores.

A verdade é que o Colégio Bennet cresceu. Transformou-se em universidade e se expandiu, e imprensou as árvores que continuaram  belas e frondosas.
Para equacionar “o problema”, decidiram abatê-las. E aí apareceram as terríveis motosserras em mãos impiedosas.

Os órgãos responsáveis pelo meio ambiente foram acionados, mas houve o famoso jogo do “empurra, empurra”. E as árvores foram abatidas, ficando ainda à mostra seus grossos troncos.

Como é triste ver-se o tombamento de árvores. É a mãe natureza que está sendo aviltada, massacrada.

Os pássaros procuravam os seus ninhos e sem saber aonde pousar. Os filhotes dos ninhos, caindo, morrendo, e as mães deles piando agudamente, como que num lamento.

O mais triste em tudo isso é que, exatamente um estabelecimento educacional, dá tão triste exemplo de educação ambiental.