O DESPERTAR DE CONSCIÊNCIAS

 

    Estamos vivendo    as festas natalinas. Há  como que uma euforia generalizada, que se materializa na troca de presentes, nas manifestações de afeto e de cordialidade entre as pessoas.

    Mas o que se observa  por detrás de tudo isso, e em grande escala, não é  a manifestação espontânea, mas sim o dever de cumprir uma formalidade, posto que quem não se inserir no contexto tornar-se-á  um alienado.

    Com as festas, a comercialização dos produtos tomou conta da cidade. Em todos os lugares,  aparecem   os temas natalinos, bonitos, aliás, mas desvirtuados de suas finalidades,  com propagandas  absurdas, desse ou daquele artigo de consumo.

    Os preços têm subido  a cifras astronômicas, numa exploração incontrolável.  Na  busca do lucro fácil, e aproveitando a desproteção a que está relegado o consumidor, muitos comerciantes   não se contentam  com  uma margem razoável de lucro, e exorbitam, sobremaneira, nos preços. .

    Nos países em que os órgãos de defesa do consumidor são deveras respeitados, a coisa é  diferente. Infelizmente, entre nós, aquele que compra é um deserdado  da sorte, sem força, sem voz, sem ação, etc.

    O Natal, assim, deixou de ser uma festa de todos, para se tornar  de alguns, pelos preços proibitivos dos produtos. Há mesa farta, mesa modesta e mesa bem pobre, ou, simplesmente, não há mesa de espécie alguma.

    Se por um lado as festas natalinas são bonitas e sensíveis ao coração servem, também,  para  uma reflexão mais profunda sobre os problemas sociais que pululam em todos os lugares, que sacodem o mundo em convulsões incontornáveis, em desagregação de toda ordem.

    Que bom seria se as manifestações de amizade que aparecem em profusão no Natal se fizessem sentir, todos os dias, em substituição às agressões, ao ódio, ao maquiavelismo, às maldades.

    As festas natalinas são um grande sonho, cheio de belezas e fantasias, mas que dura pouco, pois, ao acordar, a pessoa tem que encarar  a realidade que se apresenta bem diferente  e, às vezes, por ironia do destino, mais triste do que antes do sonho.

    Se no Natal houvesse, de fato, uma conscientização para se melhorar o quadro social do Brasil; se todos assumissem um compromisso por melhores dias, as festas não seriam apenas as comemorações de praxe, mas sim o  verdadeiro encontro com Cristo, no cumprimento de sua pregação: "amai-vos uns aos outros".

    O egoísmo nada de bom constrói. Ele é desagregador por natureza, porque divide as pessoas; cada uma luta por si, sem a compreensão de que a comunidade é um todo¸ e não se pode viver bem ao lado de pessoas sofridas e abandonadas.

    É verdade que cada um de nós, isoladamente, não vai resolver ou expungir o drama social em que vivem milhões de brasileiros; mas, se cada um de nós fizer  um pouco com honestidade de propósitos, junto às comunidades, o quadro  será bastante melhorado.

    A luta por um mundo melhor é, com efeito, um verdadeiro despertar de consciências.