ENTREGA DE MEDALHAS

No dia 9 do mês de dezembro do ano próximo passado, no salão nobre do Quartel General do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha das Cobras, na presença do Alte. Dobbin, representando aquela Organização Militar, foi procedida a entrega das Medalhas do Mérito Adesguiano àqueles que se distinguiram por excepcionais serviços prestados à Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra.
A solenidade foi aberta pelo Presidente da ADESG, Alte. Paiva, que disse da importância do acontecimento na vida da entidade que completara, no dia 7, cinqüenta e dois de existência. Justificou a ausência do Alte. Tosta, Comandante Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, um dos agraciados, por encontrar-se hospitalizado.
A seguir, foram distinguidos com a Medalha do Mérito Adesguiano: o Advogado José Roberto de Souza Cavalcante, a Profª Maria Terezinha de Albuquerque, o Maj. Brig. Ivo Gastaldoni, o Gen. Brig. Paulo Cardozo Almeida,o Adm. Onofre de Barros, o Ten. Cel. Hélio Ceratti, o Profº Sérgio Domingues Figueiredo, o Profº Genovêncio de Mattos Neto, o Adv. Enoc Almeida Vieira e o Cel. Alfredo Sebastião Seixas.
Em nome dos agraciados falou o Advogado José Roberto de Souza Cavalcante, em vibrante discurso, no qual ressaltou a importância do Corpo de Fuzileiros Navais na formação da nacionalidade para, em seguida, agradecer a homenagem recebida, declarando:
“Sentimo-nos honrados com tal distinção, decorrente da nossa atividade de adesguianos convictos, que amam a instituição, a qual encarna e representa a alma brasileira.
A ADESG, senhoras e senhores, tem a grande missão de levar cultura aos mais distantes rincões da nossa pátria, através dos seus Cursos de Estudos de Política e Estratégia, onde se estuda o Brasil, na busca de soluções para o destino que lhe está reservado no concerto das grandes nações do mundo.
Em verdade, um país somente alcança o seu estágio de grandeza, por força do seu desenvolvimento cultural. É a lição da História.
A Grécia foi grande por seus filósofos, que legaram à humanidade verdadeiros monumentos do saber, fonte fecunda e imorredoura de ensinamentos que atravessaram os séculos.
Roma nos deixou as raízes do Direito as quais se espraiaram com o passar dos tempos, servindo de base à floração do Direito Moderno.
Tais fatos demonstram o valor da força intelectual criadora no desenvolvimento de qualquer nação do mundo, em todos os tempos.
Mas, como isso se opera? Através da tansmissão de conhecimentos, daí a importância dos livros e das entidades culturais que são indispensáveis na vida dos países que almejam crescer no concerto universal”
Adiante, ressaltou:
E
o que faz a ADESG? Semeia a cultura em todo o país, inserindo-se inclusive nas
lutas do povo brasileiro para sair do subdesenvolvimento, como ocorreu
recentemente em sua Nona Convenção Nacional realizada em Brasília, tendo como
tema
central A ADESG e as Mudanças Sociais.
A nossa missão, portanto, é nobre, porque penetra no sacrário da alma humana.
Lutamos na busca do bem comum, corolário de todo o nosso esforço nestes 52 anos de existência.
E, enquanto existirem corações que alimentem um afã de perfeição, serão comovidos por tudo quanto revele fé num ideal: pelo canto dos poetas, pelo gesto dos heróis, pela filosofia dos sábios, pela palavra dos grandes pensadores.
Nós alimentamos esse afã de perfeição.
Por outro lado, a ADESG está em nossos corações. Vivemos a ADESG, diuturnamente, dentro e fora dela”.
Quase ao final do seu discurso, disse:
“A todos quantos aqui se encontram, o nosso abraço amazônico, filhos que somos do setentrião pátrio; da Amazônia distante, tão cheia de encantamentos, de riquezas, e que tem despertado tanto a cobiça internacional, em decorrência do seu generoso solo e rico sub-solo.
Temos lutado em defesa da Amazônia desde os nossos tempos de “foca” e de veterano jornalista; de Promotor Público, de Procurador, de Professor Universitário e de Presidente da OAB, Secção do Amazonas. Na ADESG, outra não tem sido a nossa posição, porque a nossa entidade simboliza uma verdadeira fortaleza na defesa de nossa afirmação como nação livre e soberana.
A Amazônia, portanto, representa a luta do presente, e será a grande luta do futuro, não tenhamos a menor dúvida. E a ADESG jamais se afastará desse desiderato!”
O
Dr. José Roberto de Souza Cavalcante encerrou o seu discurso, declamando o
poema Encontro das Águas ( Rio Negro/Solimões), de autoria do vate
Quintino Cunha, sob aplausos gerais.

O Dr. José Roberto de Souza Cavalcante ao discursar em nome dos agraciados com a Medalha do Mérito Adesguiano.

Flagrante de parte da platéia que compareceu à solenidade de entrega das Medalhas, vendo-se, em primeiro plano, o Dr. Américo Chaves, Presidente Eleito da ADESG, e o Prof. Geraldo Halfed, ex-Presidente da entidade.

O
MASSACRE DE GARIMPEIROS
Até agora a sociedade brasileira
está alarmada com
as declarações do Presidente da FUNAI sobre o massacre de garimpeiros por silvícolas.
A impressão é a de que ele não parece um homem do PT, mas um
ET, tal a falta de sensibilidade no trato de um acontecimento tão triste
quanto esse.
O Presidente da FUNAI deu inteira razão aos índios. Parece até que é plenamente
favorável à “pena de morte não oficial”, que poderá, tranqüilamente,
ser adotada pelos povos da floresta.
Qual é a dele? Embora aos índios assista o direito
na defesa das terras que tradicionalmente lhes pertencem, não é o caso de
adotarem a pena de morte para os que as invadem. A prevalecer esse princípio,
igual pena poderia ser aplicada
pelos proprietários rurais contra os “sem terra”. Isto seria um
absurdo inominável. A ninguém
é dado o direito de tirar a vida
do seu semelhante.
O mais perigoso nas afirmações do Presidente da
FUNAI é que ele endossa, friamente, como
homem pertencente à máquina administrativa do Governo,
o morticínio.É de uma insensatez inacreditável.
Uma Senadora da República já cobrou a sua exoneração do cargo. Mas o silêncio das autoridades maiores do Governo é total.
Estamos, assim, enveredando por um caminho deveras
perigoso. É preciso mais senso aos homens que ocupam posições-chave na
administração pública. Não é possível o descalabro verbal a que se
acostumaram.
Assim sendo, cabe a pergunta:estamos vivendo um retrocesso sem retorno?
Mas,
a realidade é outra, e estamos num verdadeiro estado de guerra, onde a morte se
tornou coisa banal, com as estatísticas apontando cifras astronômicas.
É
certo que, em determinados lugares,
ocorrem mais crimes do que em outros, sendo uma grande sorte quando
são passados alguns anos sem nenhum registro de crime de morte.
Outro
dia li o seguinte: em Canutama, no Amazonas, há mais de uma década, não
ocorrem homicídios. Isto tem
sido motivo de muita alegria para o povo
daquele Município que, no passado, foi vítima de bárbaros crimes cometidos nos
seringais ali existentes. Com a queda na produção da borracha, o Município
passou a outras atividades, e o tempo do cangaço ficou para trás.
A verdade é que a população de qualquer localidade do Brasil vive feliz quando as estatísticas não registram crime de morte. Basta um deles, porém, para deixar a todos em polvorosa, passando-se a viver dias inquietantes.
Temos
lido nos jornais e assistido na televisão que o crime chegou a níveis intoleráveis.
Não entendemos isto de forma alguma, pois haveria um nível tolerável
para crimes? Qual seria esse
nível? Quando atinge apenas as pessoas do povo?
Ora,
todo crime de morte é intolerável, seja ele no sertão ou na cidade. Tirar a
vida de uma pessoa é coisa que não deve ocorrer em sociedade dita civilizada,
daí a necessidade do rigor cada vez maior nas penas a serem aplicadas
e a tolerância zero contra qualquer tipo de agressão física ao
ser humano.
Do contrário é aceitar a onda de crimes, como fato consumado.
CONTRABANDO DE MATERIAL GENÉTICO
A imprensa do Amazonas publicou:
“A biopirataria, o contrabando de material genético da fauna e flora, ocorre segundo algumas autoridades com o beneplácito das instituições de pesquisas brasileiras. Isto se deve ao fato de abrigarem pesquisadores de outros países. Com permissão oficial, pesquisadores com segundas intenções, exploram material genético da Amazônia, atendendo a interesses das indústrias farmacêuticas multinacionais”
Isso não é de agora. O Prof. Arthur Reis, ex-governador do Amazonas, já de há muito denunciara o fato, inculpando, inclusive, algumas missões religiosas.
O
professor Frederico Arruda, da Universidade do Amazonas,
tem se voltado contra o
contrabando, através da imprensa.
É hora da adoção de medidas
concretas em defesa do patrimônio genético da Amazônia, antes que seja tarde
demais.
Desenvolvimento sustentável
No dia 22de novembro de 2.002, foi criada a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, destinada a fornecer recursos financeiros para incrementar o desenvolvimento da região, mediante a adoção de políticas econômicas voltadas para o desenvolvimento sustentável.
Trata-se da implementação de projetos de interesse ecológico, que visem o aproveitamento de recursos da Amazônia, em consonância com a preservação do meio ambiente, evitando-se, assim, a sua degradação.
Assinaram o documento os seguintes países: Brasil, Colômbia, Bolívia, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Equador, através de seus Ministros das Relações Exteriores. O ato ocorreu em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.