{"id":301,"date":"2020-07-22T19:32:47","date_gmt":"2020-07-22T22:32:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoamazonico2.websiteseguro.com\/?p=301"},"modified":"2021-04-21T22:56:29","modified_gmt":"2021-04-22T01:56:29","slug":"a-morte-dos-gravatas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacoamazonico.com.br\/?p=301","title":{"rendered":"A MORTE DOS GRAVAT\u00c1S"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><em>Por: Branca Amande Cavalcante<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Constru\u00edmos h\u00e1 mais de quarenta anos uma casa, em que todos os compartimentos foram cuidadosamente planejados e desenhados. Aquela casa que voc\u00ea idealizou, sonhou e concretizou. Enfim, seguimos mais ou menos o ad\u00e1gio (se n\u00e3o me falha a mem\u00f3ria, de origem chinesa) que diz: \u201cVoc\u00ea se realiza na vida quando constr\u00f3i uma casa, planta uma \u00e1rvore e tem um filho\u201d. Concordo somente em parte, porque exatamente acredito que tudo o que constru\u00edmos ou planejamos e at\u00e9 damos vida, \u00e9 apenas um processo de renova\u00e7\u00e3o e continua\u00e7\u00e3o&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A casa continua bonita em toda sua majestosa arquitetura. A piscina, em forma de p\u00e9, est\u00e1 com boa apar\u00eancia. Agora, as plantas\u00b8 as \u00e1reas verdes\u00b8 estas sim, sofreram a depreda\u00e7\u00e3o de pessoas covardes e miser\u00e1veis. Os 22 coqueiros est\u00e3o mortos; algumas \u00e1rvores frut\u00edferas queimadas e destro\u00e7adas (eram 42) e a vegeta\u00e7\u00e3o decorativa devastada e roubada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adoro o verde de todas as esp\u00e9cies (heran\u00e7a de meus pais, ou sou um esp\u00edrito das matas?), e, sinceramente, de tudo o que j\u00e1 vi, ainda n\u00e3o encontrei uma vegeta\u00e7\u00e3o t\u00e3o bela e t\u00e3o ex\u00f3tica quanto a vegeta\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sou uma enamorada dos gravat\u00e1s, das brom\u00e9lias, das palmeiras, das orqu\u00eddeas, azal\u00e9ias e samambaias. Era uma lavagem para a alma adentrar a mata em busca de gravat\u00e1s e de outras esp\u00e9cies que enchiam o meu cora\u00e7\u00e3o de alegria e amor. Com as andan\u00e7as na mata decorei as \u00e1reas do terreno de minha casa com a vegeta\u00e7\u00e3o nativa que deixava as pessoas felizes e se sentirem bem no meio das plantas. Era um refrig\u00e9rio para a mente e para o corpo. A casa, adaptada \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o nativa\u00b8 dava uma sensa\u00e7\u00e3o diferente \u00e0queles que nos visitavam, acrescendo-se a tudo isso os p\u00e1ssaros que praticamente confraternizavam conosco, fazendo ninhos em galhos baixos, pois sabiam que o seu territ\u00f3rio era sagrado. Alimentava-os e lhes dava de beber, a par do banho na piscina que eles realizavam quando a mesma estava com pouq\u00edssimo cloro (sabedoria da natureza). O c\u00e2ntico dos sabi\u00e1s, das gra\u00fanas, dos rouxin\u00f3s do Rio Negro, dos sanha\u00e7us, peitos roxos, rolinhas, os audaciosos bem-te-vis, japiins, faziam daquele para\u00edso a terapia que todos n\u00f3s necessit\u00e1vamos. As pessoas diziam com sinceridade: \u201csaio da sua casa leve e feliz\u201d. Isto era maravilhoso! Al\u00e9m do orgulho que as plantas me davam eu me sentia recompensada em proporcionar aos outros momentos de felicidade. Os gravat\u00e1s, especialmente, eram a minha paix\u00e3o!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Agora, encontro tudo destru\u00eddo e a erva daninha destruindo o que sobrou\u00b8 inclusive as ac\u00e1cias douradas e os ip\u00eas. Triste desola\u00e7\u00e3o! Chorei, chorei muito e como o autor de \u201cPor quem os sinos dobram\u201d chorei pelas plantas, por mim, por voc\u00ea e por toda a humanidade que se autodestr\u00f3i, quando destr\u00f3i a vegeta\u00e7\u00e3o; que pratica gradativamente o suic\u00eddio quando maltrata e arrebenta\u00a0 com o ecossistema; que n\u00e3o entende que o ser humano s\u00f3 se perpetuar\u00e1 se conservar a natureza, porque ele (homo sapiens?) s\u00f3 viver\u00e1 se preservar o que existe de mais perfeito no mundo e que Deus nos doou \u2013 a M\u00e3e Natureza. E os gravat\u00e1s? Todos mortos? Em meio a erva daninha que n\u00e3o poupou nem a grama, encontrei, no emaranhado de carrapichos, pequenino, todo inclinado como se estivesse pedindo socorro quando me viu, um gravat\u00e1, um dos mais raros; com cuidado, como se trata de um beb\u00ea que est\u00e1 quase morrendo, retirei-o, com carinho, e o coloquei em outro local. Comecei a cuidar dele.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em 20 dias, o gravat\u00e1 sobreviveu, fortificou-se e, como num verdadeiro milagre de amor e gratid\u00e3o, desabrochou em uma pequena flor. Realizava-se o milagre da vida! Sobrevivente de uma guerra maldita, ali estava o her\u00f3i dos gravat\u00e1s!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Branca Amande Cavalcante Constru\u00edmos h\u00e1 mais de quarenta anos uma casa, em que todos os compartimentos foram cuidadosamente planejados e desenhados. Aquela casa que voc\u00ea idealizou, sonhou e concretizou. 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