{"id":535,"date":"2020-08-20T11:20:16","date_gmt":"2020-08-20T14:20:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.espacoamazonico.com.br\/?p=535"},"modified":"2020-08-21T23:28:00","modified_gmt":"2020-08-22T02:28:00","slug":"reeducacao-a-porta-da-salvacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacoamazonico.com.br\/?p=535","title":{"rendered":"REEDUCA\u00c7\u00c3O: A PORTA DA SALVA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"> <strong>Por  Branca Amande Cavalcante<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sou uma saudosista do Rio educado em todos os sentidos. Ningu\u00e9m falava aos gritos, n\u00e3o se batiam as portas dos apartamentos de maneira estrepitosa, todos atravessavam nas faixas e o tr\u00e2nsito era, realmente, de causar inveja a outras cidades. Era a admir\u00e1vel Capital Federal, culta, onde as tert\u00falias intelectuais eram uma constante entre os estudantes, acad\u00eamicos e pessoas que se dedicavam \u00e0s letras, artes, m\u00fasica, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Os nascidos aqui no Rio, ou n\u00e3o, se submetiam \u00e0s regras de educa\u00e7\u00e3o. Mudou-se a Capital \u2013 uma id\u00e9ia sat\u00e2nica jusceliniana. Houve o \u00eaxodo rural, a migra\u00e7\u00e3o e tantos outros fatores que embruteceram o Rio de Janeiro, conflitando com tantas belezas naturais que fizeram desta cidade a chamada \u201cCidade Maravilhosa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O que houve? Produto da globaliza\u00e7\u00e3o ou falta de escolas para a maioria dos mal-educados? Nos restaurantes as pessoas, na sua maioria, gritam e comem ao mesmo tempo. O celular toca e o indiv\u00edduo (a) com a boca cheia (o ato de comer j\u00e1 \u00e9 feio) grasnam, n\u00e3o conseguem engolir e nem falar. Muitas vezes babam e chegam a cuspir para a infelicidade dos vizinhos, chuveiradas de saliva ou algum resqu\u00edcio de comida. Principalmente no \u201cself-service\u201d, \u00e9 &nbsp;um Deus nos acuda! &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Velhos e novos n\u00e3o se respeitam. No metr\u00f4 os jovens dormem ou fingem que dormem, usando os lugares destinados aos deficientes e pessoas idosas. Nos \u00f4nibus os motoristas \u201carrancam\u201d quando v\u00eaem os idosos pedir para subir no transporte. Dentro dos elevadores as pessoas \u201cconversam\u201d com palavr\u00f5es e mais palavr\u00f5es, dos simples aos mais cabeludos. Para n\u00e3o falar com ningu\u00e9m, entram nos elevadores quase de costas. Nas vias p\u00fablicas quem puder que se defenda, se for poss\u00edvel!&#8230; Os ciclistas por cima das cal\u00e7adas dirigem em alta velocidade na contram\u00e3o, e fazem muito, com a boca, sim com a boca, <strong>chichichi,<\/strong> substituindo a buzina ou coisa parecida.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o raras as pessoas que pedem desculpas ou dizem obrigado. Os vendedores, nas lojas, recebem o cliente em potencial, com a cara feia, amarrada, como se j\u00e1 fossem ser assaltados. Os idosos est\u00e3o cada vez mais intolerantes com os jovens e vice-versa. Medo? Pavor de assaltos? Tenho um amigo, psiquiatra de renome, que me declarou: entre dez pessoas oito t\u00eam transtornos ps\u00edquicos, chegando algumas \u00e0 loucura. As duas outras s\u00e3o tidas como normais.<\/p>\n\n\n\n<p>O que houve realmente com esta cidade extraordinariamente bela? A popula\u00e7\u00e3o cresceu e a educa\u00e7\u00e3o desapareceu?<\/p>\n\n\n\n<p>Os velhos e novos que voltem para as escolas de primeira ou de terceira idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Que seja reeducado o povo que, no passado, era prestativo, solid\u00e1rio, de fino trato.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em dia, de um modo geral, quando se fala em brasileiro em qualquer outro pa\u00eds \u00e9 sin\u00f4nimo de mal-educado, mau-car\u00e1ter, desonesto e outros \u201celogios\u201d desagrad\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe um desamor brutal entre as pessoas; cada uma olhando somente para o seu pr\u00f3prio umbigo. Mas quando \u00e9 para aparecer na televis\u00e3o, a\u00ed a coisa muda: apresenta-se como o povo mais solid\u00e1rio do mundo!&#8230; Como fica bonzinho na frente dos holofotes.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe aqui finalizar com a frase de Albert Schweitzer (1875-1965), Pr\u00eamio Nobel da Paz em 1952 (m\u00e9dico, m\u00fasico e fil\u00f3sofo alem\u00e3o):&nbsp; \u201dQuando o homem aprender a respeitar at\u00e9 o menor ser da cria\u00e7\u00e3o, seja animal ou vegetal, ningu\u00e9m precisar\u00e1 ensin\u00e1-lo a amar o seu semelhante\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Branca Amande Cavalcante Sou uma saudosista do Rio educado em todos os sentidos. Ningu\u00e9m falava aos gritos, n\u00e3o se batiam as portas dos apartamentos de maneira estrepitosa, todos atravessavam nas faixas e o tr\u00e2nsito era, realmente, de causar inveja a outras cidades. 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