O CHEIRO DO JEDI

A sabedoria popular diz que a ausência é atrevida. Com efeito: em reunião do Condomínio à qual não compareci, chamaram o meu querido totó de gambá, por pura inveja de um cachorro tão bem tratado.

De início, o Jedi ficou muito insultado. Logo ele, um príncipe, ser comparado a um gambá! Mas, há males que vêm para o bem, pois o Jedi passou a usar perfume francês de primeira linha e, com isto, conseguiu, como maior facilidade, conquistar o seu espaço, com desenvoltura.

A verdade é que um cachorro já entrado nos anos como o Jedi, tornou-se um verdadeiro galã, parecendo até um Paul Neuman.  Jedi ficou lampeiro e saltitante e os seus latidos passaram a ser mais sonoros e cadenciados. Quase que estreava num programa de televisão.

Jedi chegou a receber proposta para fazer um longa-metragem. Cheiroso que nem filho de barbeiro, seria o astro central das filmagens. Chegou a pensar em fazer alongamento, e já se dispunha a entrar numa academia de ginástica.

Da França, enviaram para o Jedi uma extensa lista de perfumes. Consultado, um veterinário amigo optou pelas linhas Cacharel, Calvin Klein, Givenchy e Paco Rabane; outro veterinário, optou pelos perfumes argentinos da linha Gabriella Sabatini. Os americanos também entraram na jogada e ofereceram o famoso Brut. Jedi, que não é um cachorro tolo, disse que aceitava todas as marcas; o que ele quer, em verdade, é sempre andar cheiroso.

Com toda essa onda, Jedi recebeu várias propostas de casamento, mas preferiu continuar solteiro, curtindo a vida, cheirando os postes e levantando a perna. De um momento para outro, viu-se transformado numa celebridade passando a ser o galã dos cachorros.

Com tanto cheiro bom, Jedi passou a ser o dono do pedaço, e não houve mais registros contra ele nas atas de assembleias do Condomínio.

Se houver, ele irá considerar como discriminação, e entrará com ação na Justiça, pedindo ressarcimento por danos morais.

OBSERVAÇÃO: ISTO FOI ESCRITO QUANDO O JEDI ESTAVA VIVO. FAZ ALGUNS ANOS QUE O QUERIDO JEDI MORREU.

O LÍDER PLÍNIO RAMOS COELHO

Plínio Ramos Coelho foi um grande líder no Amazonas sendo, por duas vezes, governador daquele Estado. Tive o privilégio de privar de sua amizade.

Era um homem culto, orador nato, dotado de um sentimento regionalista muito acentuado. Tudo fez e realizou para soerguer as finanças do Amazonas, muito combalidas na década de 50, e deixou uma administração marcada por realizações soberbas e magníficas. Instalou o Banco do Estado do Amazonas, a Companhia de Transportes Coletivos, a Companhia de Alimentação do Amazonas, a Companhia Telefônica, a Usina Flutuante, geradora de energia elétrica, e muitos outros empreendimentos.

Não foi apenas um grande administrador. Foi o inspirador da força de vontade que dominou o coração dos amazonenses que desejavam ver o seu Estado próspero e feliz.

Era um intelectual de grande valor e, por merecimento, foi guindado à Academia Amazonense de Letras.

Como Deputado Federal Plínio Coelho, por sua vigilância constante em defesa dos interesses do Amazonas e do Brasil, ficou conhecido como “O Ganso do Capitólio”.

Era um líder nato. Tinha, em torno de si, um sem número de admiradores de suas qualidades morais e intelectuais.

Não era preso a bem materiais. Vivia sem a menor ostentação, tendo apenas o suficiente para se manter com dignidade.

Afastado da vida política, transferiu-se para uma pequena fazenda em Goiás, onde tinha um criatório de porcos. Ali, sentiu a amargura do abandono. Ele, que sempre fora cercado de tanta gente, estava praticamente só.  A vida tem dessas facetas tristes.

Contam que, certa vez, um correligionário político ao lhe fazer uma visita, indagara: “Governador, o Senhor que é um líder político admirado, como se sente aqui nesta fazenda, criando porcos. Plínio Coelho lhe teria respondido: “Eu prefiro ter porcos como amigos, do que amigos porcos”!

Era um lutador. Não esmorecia jamais.  

Que os seus exemplos de vida inspirem as novas gerações de políticos amazonenses!

A SEMENTE DA VITÓRIA

Fiquei deveras impressionado com a leitura do livro de Nuno Cobra intitulado “A Semente da Vitória”.

Ganhei-o de presente de um amigo, sendo ele um verdadeiro entusiasta do método e da obra desse grande pensador e extraordinário preparador físico.

Para quem não conhece Nuno Cobra, eis o que diz a seu respeito a   Dra. Sílvia Risette, especialista no Método que leva o seu nome: “O Nuno é uma pessoa predestinada ao especial! Uma estrela que viaja a todo instante pelo universo de todas as pessoas que toca. Tem a magistralidade suprema do desenvolvimento de todo o potencial humano”.

Nuno Cobra é formado pela Escola de Educação Física de São Paulo e pós-graduado pela Universidade de São Paulo, tendo sido preparador, entre outros atletas famosos, de Ayrton Sena (por mais de 10 anos), Mika Hakkinen, Rubens Barrichello, Gil de Ferran, Chistian Fittipaldi, Jaime Oncins, Cassio Mota, e de empresários como Abílio Diniz, Sérgio Machline, André Lara Rezende, Alair Martins e outros.

Cuidando da parte física, Nuno Cobra trata também da parte espiritual e emocional, “com o objetivo de ajudar as pessoas a descobrirem a extraordinária força que existe nelas, fazendo-as perceber-se mais fortes e capazes, possibilitando transformações inacreditáveis”.

Nuno Cobra é um verdadeiro esteta do corpo e do espírito, fazendo com que as pessoas conheçam a sua verdadeira grandeza interior, e partam para as grandes realizações, confiantes na vitória e buscando a felicidade ao seu redor.

Olha, só lendo o livro “Semente da Vitória” para conhecer as potencialidades do corpo e da alma do ser humano, na luta para vencer as dificuldades que se antepõem à sua caminhada, no aprimoramento do seu físico e do seu espírito, e no equilíbrio de suas emoções.

*Artigo escrito em junho de 2018

A PETROBRAS E A AMAZÔNIA

Lembro-me bem. Era repórter de dois órgãos de maior circulação da imprensa amazonense quando eclodiu, em todo o Brasil, a campanha do “petróleo é nosso”.

Engajei-me na luta como todo bom brasileiro, em defesa dos interesses de nosso país que queria sair do jugo das nações produtoras de petróleo. O Brasil era totalmente dependente da importação dessa importante matéria-prima, indispensável no mundo moderno.

Sentia uma dor profunda no coração quando se dizia que não havia petróleo na Amazônia. Só podia ser castigo de Deus, pois os países vizinhos como o Peru, a Venezuela, a Bolívia e etc, o possuíam.

Exultei de alegria quando, anos mais tarde, anunciaram que o “ouro negro” fora encontrado no município amazonense de Nova Olinda do Norte. Mas, quase morri de tristeza, quando o poço foi fechado.

O que estava acontecendo? A quem interessava desacreditar a Petrobras? Aos alienígenas?

Depois de muita frustração, recebi uma explicação lógica de um engenheiro, a qual me convenceu plenamente. Ele declarou que havia petróleo na Amazônia Brasileira, e bastante, mas que não era conveniente extraí-lo, porque o produto importado era muito mais barato. Economicamente, seria inviável a produção de petróleo em plena selva amazônica.

Os tempos mudaram, o petróleo encareceu e a sua produção se tornou aconselhável, inclusive por motivos estratégicos.

Assim sendo, o petróleo passou a ser extraído, também. no território amazonense, em Urucu.

Isto prova a capacidade dos nossos técnicos. Somos um povo inteligente e de valor. A construção do motor a álcool, em substituição ao motor a gasolina, foi invenção genuinamente nacional.

Às vezes somos xenófobos. Culpamos os outros por nossos erros ou fracassos. É verdade que as nações ricas tentam nos explorar cada vez mais, porém, sempre foi assim. Cabe-nos reagir e não aceitar o que nos impõem porque, senão, a culpa não será do grupo dos países ricos, mas de nós brasileiros.

O certo é que a Petrobras é nossa, e a Amazônia também!

Quanto à Amazônia, é preciso que fiquemos vigilantes, porque ela não é patrimônio da humanidade, como tem sido apregoado por autoridades estrangeiras. É patrimônio nosso!

REFLEXÕES

Foto: EBC

Fala-se muito, em nosso país, em harmonia e independência dos poderes. Mas a gente fica pensando se de fato existe, diante do que se vê, nas disputas travadas no dia a dia. A Constituição é muito citada, mas pouco cumprida.

 Em verdade, não raras vezes, há conflitos entre os Poderes, chocando-se entre si. Tem havido uma disputa de funções, o que muito tem atrapalhado a administração pública.

 O que se tem observado, também, é que há, como se diz, uma judicialização do sistema como um todo, o que tem dado muito o que falar. O Executivo se sente travado em suas decisões pelo Judiciário.

Os congressistas, por outro lado, têm levantado disputas contra o Poder Executivo e vice-versa, o que altera em muito a normalidade democrática.

O Parlamento, em verdade, não foi feito apenas para elaborar leis, embora essa seja a sua função primordial, mas para as grandes discussões visando o bem comum.

Nesse seu mister, no entanto, não pode dificultar as ações do Governo que visem beneficiar a população, apenas por não gostar do dirigente do momento no país.

Assim sendo, ou o Parlamento volta aos seus dias de um passado brilhante, e já bem distante, ou vai perdendo a sua força e o seu prestígio perante o povo brasileiro. E é o que vem ocorrendo.

E isto é muito grave e triste.