OUTEIRO DA GLÓRIA

É um verdadeiro refrigério para a alma uma visita à Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.

Lá de cima, do conhecido e consagrado Outeiro da Glória, a vista é deslumbrante, destacando-se o Aterro do Flamengo, a Baía de Guanabara e o Pão de Açucar.  Por outro lado, traz uma verdadeira evocação do passado do Rio de Janeiro, de tantas e tão diletas lembranças.

Conforme consta dos fastos históricos, a Família Real tinha especial predileção pela Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro. Talvez, por isso, dizem que Dom Pedro II costumava ali fazer as suas orações, quando deixava a Quinta da Boa Vista.

A verdade é que uma visita ao Outeiro da Glória sempre será um encanto para a alma e um lenitivo para o coração.

Quando a angústia da cidade grande apertar, não custa nada uma subida ao Outeiro da Glória, para uma meditação profunda e um encontro com o CRIADOR.

A AMAZÔNIA NÃO É ESGOTO DO MUNDO

Na Conferência sobre o Clima, em Haia, com a presença de 180 países, os Estados Unidos apresentaram uma proposta no sentido de serem consideradas a Floresta Amazônica e outras florestas naturais, como “esgotos de carbono”, tendo em vista os gases que expelem provocando o efeito estufa.

Como se sabe, o país em referência é um dos maiores poluidores do mundo e, ao invés de adotar medidas para diminuir a emissão de gases, apresentou uma proposição que foi muito criticada por europeus e ambientalistas.

Não é, sem razão, que a Amazônia foi considerada, de há muito, “pulmão do mundo”. Passou, agora, indevidamente, a ser olhada como “esgoto da Terra”.

Mas o que nos deixa boquiabertos é a desfaçatez com que a Amazônia é tratada pelos países do primeiro mundo: como terra de ninguém, ou como a Antártida, onde todo mundo manda.

Esse negócio de considerar a Amazônia “patrimônio da humanidade” merece uma reflexão profunda. Ela é patrimônio nosso, conquistado por nossos antepassados, sendo parte integrante do território nacional.

É certo que a Amazônia não deve ser objeto de devastação, posto que isto atentaria contra o equilíbrio do meio ambiente no mundo mas, ao ponto de alguns países tratarem a Região como se lhes pertencesse, vai uma distância muito grande.

De 20 a 25% das emissões de CO2 provocadas pelo homem, provêm das queimadas, significando que medidas protecionistas devem ser postas em prática para salvar as florestas. Agora, transformá-las em “esgoto do mundo”, é outra história…

Alguns ativistas e membros de governos latino-americanos manifestaram-se favoráveis à proposta americana achando que, com isso, obterão recursos para a preservação de suas áreas florestais.

Ora, ninguém de bom senso quer a Amazônia como santuário ecológico, intocável, posto que as pessoas que lá vivem, ficariam olhando as riquezas, sem que as mesmas pudessem ser canalizadas em seu proveito.

Na verdade, certos estão os que defendem o aproveitamento auto-sustentável da Amazônia. Afinal de contas, a região não se deve transformar, também, em Museu da Humanidade.

A Amazônia é nossa. Cabe-nos defendê-la a qualquer custo, por se tratar de uma questão de Segurança Nacional.

A DOR DA SAUDADE

Corria o ano de 1994.

Ao comparecer à Loja União e Tranqüilidade, no Palácio Maçônico do Lavradio, no centro do Rio de Janeiro, lá encontrei como Orador da Loja  um irmão, de estatura acima da média, com bonita voz e acentuados  arroubos de oratória.

Ao terminar a sessão, fui apresentado ao Orador que, muito gentil, me convidou para ir ao bar-restaurante localizado perto da rua do Lavradio, a fim de ouvir músicas de um cancioneiro popular e degustar  um bem preparado  frango a passarinho.

O corpulento maçom, de gestos largos, era nada mais nada menos do que o estimado médico Moacir Elias, figura carismática de líder inconfundível. O tempo foi passando, e a amizade se firmando. Foi quando, então, por força do destino, fui morar com a família em Brasília.

Moacir vaticinou: “Cavalcante, você vai se arrepender da decisão. O seu lugar não é em Brasília, é aqui no Rio”.

Não deu outra: depois de quase quatro anos no Planalto Central, não agüentei ali ficar, e voltei com a família para o Rio de Janeiro. Moacir era um psicólogo, conhecia bem a alma humana.

Quando retornei à chamada Cidade Maravilhosa, encontrei o Moacir na condição de Venerável da Loja União e Tranqüilidade, dirigindo-a com grande entusiasmo, tanto assim que foi reeleito.

Moacir queria que eu o sucedesse na Veneraria. Fez tudo para me convencer a aceitar o elevado cargo maçônico, mas eu recusei, com muita habilidade, para não magoá-lo, dizendo-lhe que não poderia deixar a atividade de Conselheiro Federal do Grande Oriente do Brasil, que então exercia.

Moacir, mais tarde, resolveu disputar a Presidência da ADESG, entidade que já havia dirigido em outra oportunidade, com raro tirocínio. Intimou-me a ser o seu Segundo Secretário. Não tive como recusar a convocação.

O que marcou essa sua  segunda passagem na direção da ADESG  foi a  luta em defesa da ESG. Publicou flamejantes artigos no jornal Adesguiano, nos quais conclamava a todos ao bom combate, a fim  de preservar a Casa onde se estuda o destino do Brasil, na  lapidar frase do  grande Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco.

Moacir era um homem inteligente, de admirável sensibilidade e de uma extraordinária verve poética e cultura humanística. Como não poderia deixar de ser, encontrou, pela frente, panegiristas exaltados e detratores fanáticos e obstinados. Mas continuou a luta, por fim vitoriosa, em prol da ESG.

O que mais marcava no Moacir, porém, era o espírito de solidariedade que sempre foi uma constante em sua vida. Era o homem certo das horas incertas.

Emotivo, vibrava com a vitória dos seus amigos, sendo uma pessoa que sempre se doou. Acabou por se tornar um rotariano, que, em espírito  sempre foi, por seu exemplo de vida.

Ao morrer, Moacir deixou uma lacuna profunda junto aos seus amigos; junto à Maçonaria, da qual era um expoente de grande valor; e junto à  ADESG, que  sempre amou com rara devoção; e, também, junto ao Rotary Club.

A vida de Moacir, a sua luta, o seu entusiasmo pelas causas nobres, sempre o farão lembrado e relembrado por seus amigos e admiradores, que jamais esquecerão aquela formidável figura  humana, já em idade provecta, mas  com a alma de menino.

Como é profunda a dor da saudade!

A DOENÇA E A MORTE DE TANCREDO NEVES

Assisti, faz algum tempo, num programa de televisão, numa mesa redonda de médicos, a declaração de que houve mentira quanto à verdadeira doença de Tancredo Neves.

A versão oficial foi a de que ele era portador de uma diverticulite abdominal quando, de fato, tratava-se de um tumor. Justificaram os médicos da mesa redonda que quiseram, com isto, evitar uma comoção nacional.

SantoDeus em que mundo estamos? Um deles, ainda disse que Tancredo se automedicava, pois achava que, sozinho, poderia vencer a doença; que Tancredo se julgava um Deus. A verdade é que Tancredo está morto, não pode mais se defender.

Disseram ainda, os doutores, que a família de Tancredo sabia de tudo. Tudo, o quê? No meu modo de pensar erraram os doutores e errou a família!

A verdade é que os referidos profissionais esqueceram o juramento que fizeram ao receber o diploma de médico. Onde está a ética ensinada por Hipócrates?

Passados tantos anos da morte de Tancredo, vieram à televisão para declarar, bombasticamente, que mentiram para evitar uma comoção popular. A mentira, é muito pior do que a mais triste verdade.

Para evitar o processo criminal, esperaram mais de  vinte anos para  dar a verdadeira versão dos fatos. É triste, muito triste mesmo tal procedimento. Verdadeira falta de ética. Se não respeitaram os cabelos brancos que ostentavam, deveriam respeitar, pelo menos, o público que os assistiu.

Comportamento digno, tiveram os médicos do Papa João Paulo II. Em nenhum momento mentiram sobre a saúde do Papa, escondendo o seu diagnóstico. E o Papa, também, foi um verdadeiro titã na doença e na morte.

Sofremos todos juntos. E a morte do Papa foi aceita com serenidade no mundo todo.

Por que se omitiu a doença de Tancredo Neves? Por que se escamoteou a verdade, e o povo foi empulhado com a mentira?

Esta é mais uma triste página da história e da política do nosso país.

A MORTE DOS GRAVATÁS

Por: Branca Amande Cavalcante

Construímos há mais de quarenta anos uma casa, em que todos os compartimentos foram cuidadosamente planejados e desenhados. Aquela casa que você idealizou, sonhou e concretizou. Enfim, seguimos mais ou menos o adágio (se não me falha a memória, de origem chinesa) que diz: “Você se realiza na vida quando constrói uma casa, planta uma árvore e tem um filho”. Concordo somente em parte, porque exatamente acredito que tudo o que construímos ou planejamos e até damos vida, é apenas um processo de renovação e continuação…

A casa continua bonita em toda sua majestosa arquitetura. A piscina, em forma de pé, está com boa aparência. Agora, as plantas¸ as áreas verdes¸ estas sim, sofreram a depredação de pessoas covardes e miseráveis. Os 22 coqueiros estão mortos; algumas árvores frutíferas queimadas e destroçadas (eram 42) e a vegetação decorativa devastada e roubada.

Adoro o verde de todas as espécies (herança de meus pais, ou sou um espírito das matas?), e, sinceramente, de tudo o que já vi, ainda não encontrei uma vegetação tão bela e tão exótica quanto a vegetação amazônica.

Sou uma enamorada dos gravatás, das bromélias, das palmeiras, das orquídeas, azaléias e samambaias. Era uma lavagem para a alma adentrar a mata em busca de gravatás e de outras espécies que enchiam o meu coração de alegria e amor. Com as andanças na mata decorei as áreas do terreno de minha casa com a vegetação nativa que deixava as pessoas felizes e se sentirem bem no meio das plantas. Era um refrigério para a mente e para o corpo. A casa, adaptada à vegetação nativa¸ dava uma sensação diferente àqueles que nos visitavam, acrescendo-se a tudo isso os pássaros que praticamente confraternizavam conosco, fazendo ninhos em galhos baixos, pois sabiam que o seu território era sagrado. Alimentava-os e lhes dava de beber, a par do banho na piscina que eles realizavam quando a mesma estava com pouqíssimo cloro (sabedoria da natureza). O cântico dos sabiás, das graúnas, dos rouxinós do Rio Negro, dos sanhaçus, peitos roxos, rolinhas, os audaciosos bem-te-vis, japiins, faziam daquele paraíso a terapia que todos nós necessitávamos. As pessoas diziam com sinceridade: “saio da sua casa leve e feliz”. Isto era maravilhoso! Além do orgulho que as plantas me davam eu me sentia recompensada em proporcionar aos outros momentos de felicidade. Os gravatás, especialmente, eram a minha paixão!

Agora, encontro tudo destruído e a erva daninha destruindo o que sobrou¸ inclusive as acácias douradas e os ipês. Triste desolação! Chorei, chorei muito e como o autor de “Por quem os sinos dobram” chorei pelas plantas, por mim, por você e por toda a humanidade que se autodestrói, quando destrói a vegetação; que pratica gradativamente o suicídio quando maltrata e arrebenta  com o ecossistema; que não entende que o ser humano só se perpetuará se conservar a natureza, porque ele (homo sapiens?) só viverá se preservar o que existe de mais perfeito no mundo e que Deus nos doou – a Mãe Natureza. E os gravatás? Todos mortos? Em meio a erva daninha que não poupou nem a grama, encontrei, no emaranhado de carrapichos, pequenino, todo inclinado como se estivesse pedindo socorro quando me viu, um gravatá, um dos mais raros; com cuidado, como se trata de um bebê que está quase morrendo, retirei-o, com carinho, e o coloquei em outro local. Comecei a cuidar dele.

Em 20 dias, o gravatá sobreviveu, fortificou-se e, como num verdadeiro milagre de amor e gratidão, desabrochou em uma pequena flor. Realizava-se o milagre da vida! Sobrevivente de uma guerra maldita, ali estava o herói dos gravatás!